Setor de HVAC-R pode faturar R$ 55,62 bilhões em 2026, enquanto Danfoss prevê ampliar em 20% a produção de unidades condensadoras em Osasco
A intensificação do El Niño e a perspectiva de temperaturas elevadas nos próximos meses começam a influenciar o planejamento da cadeia de refrigeração e climatização no Brasil. O cenário aumenta a atenção sobre estoques, capacidade produtiva, manutenção e disponibilidade de equipamentos para os períodos de maior demanda.
O fenômeno já está estabelecido e deve ganhar intensidade nos próximos meses. Boletim divulgado em setembro por órgãos oficiais brasileiros aponta probabilidade superior a 90% de que o El Niño alcance intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro de 2026.
Na Danfoss, a movimentação já se reflete na operação brasileira. Segundo a companhia, a entrada de pedidos no segundo trimestre ficou acima das expectativas e a carteira de encomendas de 2026 supera a registrada no ano anterior. A empresa projeta crescimento de dois dígitos em sua operação brasileira de refrigeração.
Na fábrica de Osasco (SP), dedicada à produção de unidades condensadoras, a expectativa da companhia é ampliar em 20% o volume produzido em 2026. Para atender aos períodos de maior demanda, a Danfoss também planeja passar de um para dois turnos de trabalho durante a alta temporada.
“A combinação entre as condições climáticas e a necessidade de manter os equipamentos em operação faz com que o planejamento seja cada vez mais importante para toda a cadeia. Estamos acompanhando de perto essa movimentação e adotando medidas operacionais para garantir agilidade e eficiência no atendimento aos clientes durante os períodos de maior demanda”, afirma o gerente de Desenvolvimento de Negócios de Unidades Condensadoras da Danfoss LAM, Eduardo Drigo.
Calor aumenta demanda sobre sistemas de refrigeração
Temperaturas mais elevadas também podem aumentar a carga térmica e o tempo de f

uncionamento dos sistemas de refrigeração já instalados.
O impacto é particularmente relevante em operações que dependem da manutenção de temperaturas controladas, como supermercados, padarias, restaurantes, açougues, lojas de conveniência e centros de distribuição.
Nesse cenário, manutenção preventiva, retrofit e disponibilidade de componentes ganham importância para reduzir o risco de interrupções e perda de desempenho dos equipamentos.
“O aumento da temperatura impõe uma carga maior aos sistemas de refrigeração, que passam a operar por mais tempo e em condições mais exigentes. Por isso, a manutenção preventiva, a disponibilidade de peças e componentes e a avaliação da eficiência dos equipamentos são fatores importantes para evitar paradas e garantir a continuidade das operações”, afirma o diretor de Vendas da Danfoss Brasil, Roberto Pereira Jr.
Setor pode chegar a R$ 55,62 bilhões em 2026
O mercado brasileiro de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (HVAC-R) faturou cerca de R$ 50,15 bilhões em 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
Para 2026, a entidade projeta faturamento de R$ 55,62 bilhões, crescimento de aproximadamente R$ 5,5 bilhões em relação ao ano anterior.
A evolução do mercado, entretanto, não depende apenas das condições climáticas. Fatores econômicos, disponibilidade de crédito e comportamento do consumidor também podem influenciar a conversão do aumento da demanda em faturamento.





