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Artigo – Retrofit de máquinas antigas: alternativa econômica para a indústria. Por Jurandir de Sousa*

De acordo com informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o parque industrial brasileiro é considerado envelhecido, visto que mais de um terço dos equipamentos já ultrapassou o ciclo de vida ideal recomendado pelos fabricantes, e, com o dólar oscilando – começamos o ano em patamares elevados -, pressionando o custo de importação de máquinas e equipamentos; e agora mais baixo, a indústria do país tem sido obrigada a rever estratégias de investimento. Diante desse cenário, cada vez mais empresas optam pelo retrofit de máquinas antigas, uma solução que alia economia e modernização tecnológica.

A prática do retrofit, que consiste na modernização de sistemas elétricos, eletrônicos, pela substituição de CLPs antigos, painéis de comando, sensores, inversores de frequência e softwares de controle, permite que equipamentos considerados obsoletos voltem a operar com níveis mais altos de eficiência, precisão e segurança. Sendo assim, a solução deixou de ser apenas emergencial e passou a integrar o planejamento estratégico de muitas indústrias brasileiras.

Em alguns momentos, importar uma máquina nova pode custar duas ou três vezes mais do que há alguns anos, e o retrofit surge como uma alternativa inteligente, porque permite modernizar o processo produtivo com um investimento muito menor, aproveitando o que a empresa já tem de equipamentos.

Além do fator econômico, o retrofit também tem papel central na adaptação das indústrias à indústria 4.0, já que a integração de máquinas antigas a sistemas digitais de monitoramento, sensores de segurança, coleta de dados e manutenção preditiva tem resultado em ganhos de produtividade, redução de falhas e paradas não programadas, além da diminuição de riscos e acidentes de trabalho, sem a necessidade de grandes investimentos em ativos importados.

Embora iniciativas governamentais recentes tenham buscado estimular a renovação do parque industrial, o retrofit continuará sendo uma solução complementar e estratégica. Enquanto o câmbio continuar pressionado e o crédito seguir caro, o retrofit será uma escolha natural, por proporcionar que a indústria brasileira avance tecnologicamente, ao unir eficiência, inovação e sustentabilidade financeira, mesmo em um cenário econômico desafiador.

Jurandir de Sousa é  técnico em mecatrônica e CEO da Erluma Comércio de Máquinas e Manutenção Industrial 

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