ARTIGO: Cooling Matters – Fluido refrigerante, meio ambiente e as próximas gerações. Por: Lucas Fugita*

A refrigeração e a climatização são essenciais para a nossa sociedade. Nas vésperas do Dia Mundial da Refrigeração que acontece em 26 de junho com o tema “Cooling Matters”, ou seja, “Refrigeração Importa”, você já notou o impacto que a refrigeração e climatização possuem em nossas vidas e como elas estão mais próximas do nosso cotidiano do que imaginamos? De acordo com o censo do IBGE realizado em 2018, 98,3% das famílias brasileiras declararam possuir pelo menos uma geladeira em suas residências e em 2020, a estimativa era que existiam mais de 28 milhões de aparelhos de ar-condicionado instalados no Brasil. Além de aplicações em nosso cotidiano, os sistemas de refrigeração e climatização são essenciais em toda a cadeia do frio. Da produção, conservação e transporte de alimentos, passando por indústrias de aço e mineração, cultivo de flores, produção de medicamentos, climatização de aviões e hospitais, até a refrigeração de servidores e data centers globais, o controle da temperatura é parte crítica e fundamental de nossas vidas. Uma peça-chave para que os sistemas de refrigeração e climatização operem corretamente é o fluido refrigerante. O fluido refrigerante é a substância química responsável por realizar a absorção e rejeição de calor durante o ciclo de refrigeração garantindo assim o controle de temperatura. Os primeiros fluidos refrigerantes fluorados desenvolvidos pela indústria na década de 1930 foram os clorofluorcarbonos (CFCs) como R-11 e R-12, que apesar de serem eficientes e seguros para o ser humano, eram danosos ao meio ambiente uma vez que degradavam a camada de ozônio. Em sequência, na década de 1950, foram desenvolvidos os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) como R-22 e HCFC-141b que apesar de possuírem menor impacto ambiental, ainda contribuíam significativamente para a degradação da camada de ozônio. Em 1990 foram desenvolvidos os primeiros hidrofluorcarbonos (HFCs) como por exemplo o R-134a, R-404A e R-410A, muito utilizados até os dias atuais, que mantém o bom desempenho, não degradam a camada de ozônio, porém possuem elevado potencial de aquecimento global (GWP) e consequentemente contribuem para o efeito estufa e elevação da temperatura média global. No Brasil, os CFCs e HCFCs atualmente são regulados pelas diretrizes do Protocolo de Montreal que busca a eliminação total das substâncias químicas que degradam a camada de ozônio até o ano de 2040. Por outro lado, os HFCs de alto potencial de aquecimento global estarão regulamentados pelas diretrizes da Emenda de Kigali, globalmente ratificada por mais de 133 países sendo que no Brasil está em processo de ratificação. Países em desenvolvimento como o nosso, possuem o calendário previsto de início do congelamento do consumo de HFCs a partir de 2024, reduções gradativas a partir de 2029 até a redução de 80% do consumo no ano de 2045. Simultaneamente aos protocolos internacionais, as agendas ESG ganharam mais notoriedade nos últimos anos, de modo que a refrigeração e climatização se tornaram protagonistas no cenário de oportunidades de reduções de emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2e), principalmente pela eficiência energética e pela escolha do fluido refrigerante a ser utilizado. Nesse sentido, foi desenvolvida a nova geração de fluidos refrigerantes, as hidrofluorolefinas (HFOs) que não degradam a camada de ozônio e possuem baixíssimo potencial de aquecimento global. Sendo assim, não estão sob regulamentação do Protocolo de Montreal e da Emenda de Kigali, além de serem uma excelente solução para empresas com agendas ESG que buscam neutralidade de carbono a curto, médio e longo prazo. Adotado inicialmente pela indústria em climatização automotiva, os HFOs hoje já estão em mais de 15 milhões de veículos produzidos anualmente com soluções que garantem performance, segurança e sustentabilidade em suas aplicações. Além do ar-condicionado automotivo, os HFOs também estão presentes em inúmeros supermercados, frigoríficos e centros de distribuição, que garantem reduções significativas no GWP e podem atingir reduções de consumo de energia de até 12%. No dia Mundial da Refrigeração, a escolha do fluido refrigerante é crucial para garantir não apenas o crescimento da economia, mas principalmente a sustentabilidade de nosso planeta a longo prazo. A busca e o atingimento dos objetivos de sustentabilidade definirão o futuro da agenda climática e confirmarão o comprometimento das empresas e indústrias do setor com o meio ambiente e com as próximas gerações.

 

Por Lucas Fugita, Especialista em Serviços Técnicos, Estratégia e Desenvolvimento de Negócios na Chemours.
Postado em 27 de junho de 2022.
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