Posição da evaporadora, distância do teto, incidência de calor e cuidados com gesso e papel de parede podem interferir no funcionamento do equipamento
Onde instalar o ar-condicionado? A escolha do local vai além da estética e do conforto. O posicionamento das unidades interna e externa, as condições para circulação do ar, a drenagem e até os materiais utilizados no ambiente podem interferir no desempenho do sistema e na conservação dos revestimentos.
Segundo Romenig Magalhães, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Gree do Brasil, alguns erros de instalação podem aumentar o esforço de operação do equipamento e provocar problemas que poderiam ser evitados ainda na etapa de planejamento.
“O ar-condicionado precisa ‘respirar’ e fazer o ar circular de maneira uniforme. Quando ele é instalado no lugar errado, o termostato faz leituras incorretas, o compressor trabalha sobrecarregado e o consumo de energia dispara. Além disso, falhas simples de infraestrutura podem estragar papéis de parede e danificar forros de gesso”, afirma Magalhães.
Ar-condicionado na cozinha exige cuidados
Em cozinhas, especialmente nas integradas a outros ambientes, um dos principais cuidados é evitar a instalação da evaporadora próxima ao fogão ou cooktop.
Gordura e vapores produzidos durante o preparo dos alimentos podem ser aspirados pelo equipamento e se acumular nos filtros e na serpentina, prejudicando sua conservação e seu desempenho. O fluxo de ar também não deve ser direcionado para as chamas de equipamentos a gás.
“O aparelho deve ser instalado na parede oposta ou o mais distante possível da área de cocção. Na cozinha, também é fundamental calcular uma carga térmica maior, devido ao calor gerado por fornos e geladeiras”, orienta o especialista.
O dimensionamento, porém, deve considerar o conjunto das cargas térmicas do ambiente, suas características construtivas e condições de utilização, não apenas a presença desses equipamentos.
Ar-condicionado em gesso e drywall
Forros de gesso e paredes em drywall também exigem planejamento antes da instalação do ar-condicionado.
No caso de equipamentos do tipo Hi-Wall, a fixação deve considerar uma estrutura capaz de suportar adequadamente o peso e as condições de operação do aparelho. Também é necessário preservar as distâncias mínimas indicadas pelo fabricante para permitir a circulação e o retorno do ar.
Segundo Magalhães, deixar a evaporadora muito próxima do teto pode prejudicar a captação de ar. A Gree recomenda, para os casos citados pelo especialista, uma folga de aproximadamente 10 cm a 15 cm na parte superior.
“O suporte do ar-condicionado deve ser ancorado na parede de alvenaria por trás do gesso. E, no caso dos modelos Cassete, a sustentação precisa ser feita por tirantes presos diretamente na laje superior”, explica.
A drenagem também merece atenção. Problemas no escoamento da água condensada podem provocar vazamentos e atingir forros, paredes e outros acabamentos.
Papel de parede e ar-condicionado: qual instalar primeiro?
A combinação entre ar-condicionado e papel de parede requer atenção principalmente à infraestrutura frigorífica e à drenagem.
Tubulações inadequadamente isoladas podem apresentar condensação superficial, levando umidade para paredes e revestimentos e favorecendo manchas, bolhas ou descolamentos.
De acordo com a orientação apresentada pela Gree, o ideal é concluir primeiro a infraestrutura necessária para a instalação, incluindo tubulação e dreno. Depois, o papel de parede pode ser aplicado e, após sua secagem, a unidade interna é instalada.
Nas manutenções e higienizações posteriores, a recomendação é proteger adequadamente a parede e o revestimento contra água e resíduos provenientes da limpeza.
Onde não instalar o ar-condicionado?
Algumas situações devem ser observadas na definição do local do equipamento:
- Muito próximo ao teto: devem ser respeitadas as distâncias mínimas estabelecidas pelo fabricante para permitir a circulação adequada do ar.
- Próximo a fontes de calor: lâmpadas, equipamentos eletrônicos e outras fontes térmicas podem interferir na leitura da temperatura, dependendo da posição do sensor e das condições do ambiente.
- Com o fluxo de ar diretamente sobre cama ou sofá: o direcionamento contínuo pode provocar desconforto aos ocupantes.
- Unidade externa em local com ventilação insuficiente: a condensadora precisa de condições adequadas para realizar a troca de calor e deve ser instalada conforme as especificações do fabricante.
- Sem infraestrutura elétrica e drenagem adequadas: circuitos elétricos, tubulações e sistema de drenagem devem ser dimensionados conforme a capacidade e as características do equipamento.
- Sem realização do procedimento de vácuo: a evacuação adequada da tubulação antes da liberação do fluido refrigerante é uma etapa importante da instalação, ajudando a retirar ar, umidade e gases não condensáveis do circuito.
“A instalação adequada é responsável por mais de 50% do bom desempenho do produto ao longo dos anos. Escolher a capacidade certa de BTUs e contar com mão de obra credenciada garante que o consumidor desfrute do conforto térmico sem surpresas desagradáveis na infraestrutura da casa”, conclui Romenig Magalhães.
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