Composto por uma exposição do artista multimídia – que inclui uma versão tátil completa – e um minidocumentário assinado pela Big Bonsai, projeto transforma poluição em obras artísticas e reflexão sobre a qualidade do ar e seus impactos na vida humana e no futuro do planeta
O artista multimídia Alexandre Orion e o Instituto Ar apresentam a mostra inédita AR-TE no Centro Cultural São Paulo (CCSP), entre os dias 18 de novembro e 25 de janeiro. O projeto contempla uma exposição com dez obras e um minidocumentário assinado pela produtora Big Bonsai, que transformam poluição em arte e denúncia. Reconhecido por utilizar a própria sujeira das cidades como matéria-prima de forma pioneira no universo artístico, Orion propõe uma reflexão contundente sobre as emissões atmosféricas e seus impactos na vida humana e no futuro do planeta. A mostra apresenta também uma versão tátil integral da exposição, na Biblioteca Louis Braille, no CCSP.
A exposição e o documentário AR-TE retomam o histórico de obras de Alexandre Orion relacionadas à poluição – desde a icônica intervenção “Ossário”, realizada no túnel Max Feffer, até os murais com técnica pioneira de pintura com fuligem – numa impactante linha do tempo. A mostra também apresenta nova série do artista “E Quando o Pior Ar Piorar?”, iniciada com a alarmante constatação de que São Paulo havia sido apontada como a megalópole com o ar mais poluído em um ranking internacional, em 2025. “Nesta parceria com o Instituto Ar, vestimos meu trabalho com a estética de recortes de jornal e conseguimos combinar a narrativa artística com dados impressionantes sobre a gravidade do problema. A exposição e o documentário têm um apelo socioambiental e informacional que eu espero que resulte em conscientização e em mudanças reais para um futuro melhor.”, explica Orion.
As obras de AR-TE combinam produção artística com textos informativos que revelam tanto o processo criativo quanto dados científicos sobre poluição, clima e saúde. Durante a experiência, que ocupa três diferentes espaços expositivos no CCSP, o público é confrontado com informações estarrecedoras. São números que expõem a gravidade da crise climática e suas consequências para a saúde, a qualidade do ar que respiramos e a vida em escala planetária.
Já o mini documentário, realizado pela produtora Big Bonsai, acompanha as pesquisas de Alexandre Orion em torno do uso da poluição como material artístico. O filme traz depoimentos de especialistas em saúde, urbanismo, meio ambiente e outras áreas ampliando o diálogo entre arte, ciência e sociedade. Entre as contribuições de especialistas para o documentário, o médico patologista Dr. Paulo Saldiva, a doutora em Física Atmosférica e Pesquisadora do Instituto Ar Renata da Costa; o filósofo e economista Eduardo Giannetti, a liderança indígena, brigadista florestal e mestra dos saberes no Museu das Culturas Indígenas de São Paulo Sônia Ara Mirim e a ativista sócio-ambiental e Diretora Executiva do PerifaConnection Thuane Nascimento (Thux) fundamentam a narrativa artística com conhecimentos científicos e ambientais rigorosos.
A parceria entre o Instituto Ar e a obra de Orion resulta numa soma valiosa de múltiplas camadas analíticas, em uma ação de impacto sociocultural e relevância artística. A entidade sem fins lucrativos atua desde 2008 no enfrentamento da mudança climática e da poluição do ar pela perspectiva da saúde humana. O artista, que pensa e cria pelo viés ambiental já há mais de 20 anos, e o Instituto olham para a mesma direção e agora somam forças ao dedicarem-se à produção de conhecimento e mobilização da sociedade e das instituições para a causa.
A profundidade e autenticidade desta relação motivou a criação da mostra, segundo Roberta Mourão, coordenadora de parcerias do Instituto Ar e uma das idealizadoras do projeto. “Ao transformar o caos em arte, lavando a fuligem e revelando o incômodo, a arte de Orion reflete de maneira poderosa a urgência da causa que une o artista e o Instituto Ar, trazendo a potência da arte como linguagem capaz de levar temas complexos para novos lugares, contextos e públicos.”, analisa.
Em um cenário global no qual a poluição do ar e a crise climática são a maior ameaça global à saúde, conforme alertado pela ONU e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, AR-TE apresenta uma ponte essencial para o diálogo, a conscientização e a busca por soluções. “Como uma instituição profundamente comprometida com a vida e o bem-estar das comunidades, acreditamos firmemente que não podemos dissociar a saúde pública do debate ambiental. “, explica Evangelina Araújo, médica fundadora do Instituto Ar e embaixadora do movimento Médicos Pelo Clima.
“O projeto AR-TE é uma manifestação dessa convicção. Ao unir a profundidade da ciência com a potência transformadora da arte, buscamos traduzir dados complexos e urgências climáticas em experiências acessíveis e impactantes para o público.” completa.
Em meio às discussões da COP30, a mostra se afirma como um espaço de provocação e consciência, no qual arte e ciência encontram-se para questionar o impacto das escolhas humanas sobre o presente e o futuro do planeta.
O projeto AR-TE é apresentado pelo Ministério da Cultura e produzido pelo Instituto Ar em parceria com Alexandre Orion, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio de Chiesi e Grupo Fleury.
Sobre Alexandre Orion
Nascido em 1978, Alexandre Orion é artista multimídia e muralista. Realizou exposições individuais e murais nas principais capitais do mundo. No Brasil, suas obras foram exibidas em espaços como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil, Caixa Cultural e diversas unidades do SESC. Realizou exposições e possui obras em acervos na Foundation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; na Pinacoteca do Estado de São Paulo; no Itaú Cultural; no Deustche Bank e no Mad Museum, ambos em Nova York; no Milwaukee Museum; na Fundação Padre Anchieta; no Nelson-Atkins Museum of Art; no Spencer Museum of Art, entre outros. Tem entrevistas e obras publicadas em mais de dez línguas, por editoras internacionais como Thames and Hudson, Taschen, Éditions de la Martinière, Phaidon, Die Gestalten, Daab, Laurence King Publishers, Edelbra, Rotovision, Dokument Press, University of Toronto Press, Saraiva, Sigongart, Vivays Publishing e Tamesis.